Em Vila Real, a tradição de dar a “gancha” e o “pito” é uma celebração popular que se realiza em duas etapas, divididas por dois meses.
- No dia 13 de dezembro, dia de Santa Luzia, as mulheres oferecem aos homens um doce típico chamado “pito”, feito com massa e recheio de abóbora. Este gesto simboliza a devoção à santa e a esperança de um bom relacionamento amoroso.
- Em fevereiro, no dia de São Brás, a tradição completa-se com a entrega da “gancha”, um pão doce em forma de rosca, pelos homens às mulheres. A gancha representa o compromisso e a promessa de um futuro juntos.
Assim, enquanto que para muitos milhões de comuns mortais, hoje, dia de São Brás, é mais um dia frio de fevereiro, para lá do Marão, para as imaginativas gentes de Vila Real e arredores, hoje é dia do rapaz “dar a gancha” à menina.
Pois é, e como manda a tradição, aqui por Vila Real, que no dia 03 de fevereiro, os rapazes ofereçem a “gancha de S. Brás” às raparigas, como forma de retribuir o “pito de santa luzia” que elas lhes terão oferecido em dezembro.
Desenganem-se e acalmem-se as mentes mais perversas, pois só tratamos aqui das mais puras guloseimas que as tradições fazem perdurar.

A gancha é uma espécie de bengala de açúcar caramelizado que se chupa, enquanto o pito, já se sabe, é um “bolo” recheado com doce de calondro (abóbora), delicioso, por sinal.
Parece que por aqui, os pitos ainda se dão como antigamente e as ganchas duras, são a melhor das retribuições.
Mas afinal onde terá surgido esta tradição tão peculiar?
Ao que parece, tudo terá surgido com uma tal de Ermelinda, ali para cima, para Vila Nova. Ainda hoje, no dia 13 de dezembro, dia da festa de Santa Luzia, podemos comprar pitos caseiros no adro da igreja. Contudo, qualquer pastelaria de Vila Real vai tendo, ao longo do ano, pitos e ganchas com fartura. (toda a história)
A tradição de dar a “gancha” e o “pito” é um exemplo da riqueza cultural de Portugal e da importância de manter vivas as tradições que nos identificam como povo.

