Em Bratislava mudámos de planos.
Podíamos ir direto para Cracóvia, num confortável comboio e, numas 6/7 horas, estaríamos lá… poder podíamos, mas não era a mesma coisa.
Decidimos cruzar a Eslováquia, através das montanhas (High Tatras) e entrar na Polónia pelo sítio mais improvável, atravessando um rio de águas criatalinas que nasciam do degelo das neves quase eternas do Tatras.
Iríamos demorar mais tempo, teríamos de mudar umas “cem” vezes de transporte, teríamos de carregar as mochilas e esperar por autocarros que nem sabíamos se existiam…
Mas como quem não arrisca não petisca, decidimos meter-nos à estrada, ou melhor às “linhas”.
De regresso à estação ferroviária de Bratislava, abastecemos-nos de comida e água, muita água que está um calor infernal. Dizem-nos na estação que o comboio não tem lugar marcado, mas o lugar que decido ocupar, parece ter mel… sou obrigado a mudar um par de vezes. Mas afinal havia lugar marcados, para quem falasse eslovaco!!!
As 5 horas de viagem serviram para quase tudo. Observa-se a paisagem e o último serpentear do Danúbio. Atenta-se no ritmos das coisas, dos lugar e conhecem-se pessoas!
Conhecemos a Mira, uma advogada que tenta começar a vida em Kosice, no leste da Eslováquia. Para quem envereda pelas “leis, aparentemente os problemas por lá são os mesmos que aqui, em Portugal. Muitos licenciados, demasiadas escolas particulares, pouco trabalho e salários que não encontro palavras para qualificar. Pior, o problema é transversal a todas as áreas de estudo. Há demasiados licenciados, diz Mira. Consequentemente, muitos são obrigados a emigrar- Também ela teve uma experiência internacional, em Inglaterra. Se as coisas não se proporcionarem, regressarei ao reino de sua Majestade, sentencia. A conversa, dizem são como as cerejas, e quando demos por nós estávamos a chegar a Poprad, as fraldas do Tatras.
Encerramos a conversa, dando nome ao momento: “Lawyers on the train”!
Parecemos pequenos e de resto somos, frente a esta gigante montanha!

