Situado na pequena aldeia de Guilhafonso, no concelho da Guarda, o Castanheiro Gigante de Guilhafonso é uma árvore magnífica, e foi, em 2023, a 3ª mais votada no concurso “Árvore do Ano”.

Dia solarengo de inverno.
Saímos de casa já com o sol já alto e sem muitos planos. Pegámos no carro e deixámo-nos ir. A Sandra, de repente, diz: “vamos ver como está o castanheiro, despido agora no Inverno”.
Em segundos, a marcha do carro dirige-se para a estrada que liga Guarda a Pinhel. Depois da Anta de Pera do Moço virámos à esquerda. Ao lado do campo de futebol, lá estava ele, gigante, como era de esperar, e despido das suas roupas veraneias.

Estamos perante o maior castanheiro da Europa, um inquestionável património natural, aliás já classificado com “interesse público”, pelo ICNF.

Diz-se por aqui que este magnífico exemplar de Castanea sativa deverá ter mais de 400 anos.
Ao que consta, são necessárias sete ou oito pessoas, para abraçar o castanheiro (não, não fizemos o teste) e que esta árvore resultou da junção de dois castanheiros, cujos troncos, por estarem muito juntos, se envolveram um no outro, pelo menos é o que se diz aqui.
Curiosidades sobre o Castanheiro Gigante de Guilhafonso
Estima-se que esta enorme árvore, classificada em 1971 como de interesse público pelo ICNF, seja resultado da junção de dois castanheiros, cujos troncos estavam muito próximos e ao longo do tempo se foram fundindo.
Além de grande, este castanheiro é antigo e um robusto sobrevivente.
Há 30 anos foi quase cortado por um madeireiro e há cerca de 20 foi atingido por um raio, sofrendo danos consideráveis.

Dizem alguns homens da ciência que o castanheiro terá chegado à Península Ibérica ainda durante o período Neogénico, vindo da Ásia, podendo hoje afirmar-se (de forma provocativa) que esta espécie possui um carácter autóctone.
Este não tem tanto tempo, mas nos 500 anos que já leva no tronco, pela sombra da sua copa terá já passado muita vida. Está velho o nosso amigo. Está cansado. Mas resiste. Afinal, as árvores morrem de pé.

Quer fazer um Percurso Pedestre?
Se quiser aproveitar para fazer um lindo trilho e, pelo caminho, visitar o castanheiro Gigante, a Anta de Pera do Moço e muito outros pontos de interesse, sugerimos que o “Percurso de Pera do Moço”. Integrado na rede de Percurso Pedestres da Guarda, este percurso, circular e com cerca de 11 km de extensão, começa e termina na aldeia de Pera do Moço. é um percurso fácil que pode ser feito em cerca de três horas.

Já aqui, nos Trilhos, citámos Miguel Torga, vezes sem conta. A verdade é que parece que o poeta tem sempre algo que se adapta na perfeição a cada situação singular.
Não resisto a, mais uma vez, recorrer às suas palavras:
“Mas o fruto dos frutos, o único que ao mesmo tempo alimenta e simboliza, cai de umas árvores altas, imensas, centenárias, que, puras como vestais, parecem encarnar a virgindade da própria paisagem. Só em Novembro as agita a inquietação funda, dolorosa, que as faz lançar ao chão lágrimas que são ouriços. Abrindo-as, essas lágrimas eriçadas de espinhos deixam ver numa cama fofa a maravilha singular de que falo, tão desafectada que até no nome é doce e modesta – a castanha. Assada, no S. Martinho, serve de lastro à prova do vinho novo. Cozida, no Janeiro glacial, aquece as mãos e a boca dos pobres e ricos. Crua, engorda os porcos, com a vossa licença…”. Miguel Torga, em “Um Reino Maravilhoso” (1941)
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