InícioCrónicas de ViagemNos Andes, pelos caminhos dos IncasEm Maras, há sal que nasce nas montanhas. Salineras de Maras

Em Maras, há sal que nasce nas montanhas. Salineras de Maras

Crónicas de ViagemNos Andes, pelos caminhos dos IncasEm Maras, há sal que nasce nas montanhas. Salineras de Maras

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A cada passo na nossa viagem pela América Latina, demos de frente com o sal, ou melhor, o cloreto de sódio, ou ainda, com escrevem os químicos, NaCl.

Mais à frente vamos pisar, correr e saltar e até dormir no maior deserto de sal do mundo. Mas se o Salar de Uyuni é uma autêntica maravilha criada pela excelsa natureza, as majestosas salinas de Maras resultam do engenho da condição humana, das suas necessidades e persistência ao longo dos séculos.

Salineras de Maras-6

São curvas e mais curvas, uma estrada poeirenta e de terra batida. Somos sempre acompanhados, ao longo do caminho, pelo monumental Salkantay… que dos seus cumes nevados lança um olhar vigilante sobre todo o vale.

De repente, uma claridade imensa abre-se diante de nós e damos de frente contra 5 mil “poças” de sal. Despertamos da sonolência provocado pelo embalo das curvas e do sol forte destas altitudes andinas.

Lá baixo, as poças alinham-se num caos organizado. Há uns poucos trabalhadores que recolhem o sal que a natureza dá. A água, que jorra não se sabe bem de onde, transporta consigo este “mineral” cobiçado.

Salineras de Maras-1

O sal sempre teve um papel importante nas economias desde os tempos mais remotos da humanidade, ao ponto do pagamento do trabalho diário ter sido pago em sal, e daí o nome “salário” – salarium argentum – o pagamento que era feito em sal. O ouro-branco, cristalino, sem aroma, desde os tempos mais remotos exerce um fascínio no homem, o tempero da comida, o tempero da vida.

A extração de sal nas Salineras de Maras – em quechua, diz-se kachi Raqay – perde-se no tempo, remontando à época pré-inca. Há milhares de anos que as poças passam de família em família, de forma hereditária.

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A água salobra emerge de uma pequena corrente de água natural subterrânea. É direccionada para um complexo sistema de pequenos canais construídos de modo a permitir que a água corra gradualmente para as várias centenas de pequenas lagoas em forma de escadas. Por ação do sol, a água vai evaporando, deixando atrás de si cristais de sal, Salineras de Maras-7que um mês mais tarde são recolhidos. Cada poça produz cerca de 300 quilos de sal por mês e cada família de Maras é responsável pela manutenção e extração de 40 poças.

Nas Salineras de Maras o labirinto de lagoas é impressionante. Avançamos lentamente entre os poços. Provamos a água, altamente saturada e de uma salinidade que até se sente nos dentes.

Não tem iodo, por isso há que consumi-lo com parcimónia. Há barraquinhas que vendem sal à entrada das salinas. Há sal de mil maneiras. Inspecionamos cada uma delas, lentamente, enquanto bebericamos uma chicha morada que  por ali uma velhota vendia a copo.

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O rio Urubamba, que banha o Vale Sagrado e as Salineras de Maras ao fundo, a mancha branca que se vê

 

 

 

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os meus trilhoshttps://osmeustrilhos.pt
Somos uma família apaixonada… apaixonada pelo mundo e pelas viagens, sejam elas curtas ou longas. Mas a maior das viagem começou há pouco, quando à equipa se juntou o pequeno Simão. Durante uma parte do ano vestimos as capas de dois burocratas do funcionalismo público, na outra, metemos a mochila às costas, pegamos no Simão, e vamos por aí… ver com outros olhos, conhecer o mundo, conhecendo-nos cada vez mais a nós próprios. Adoramos grandes aventuras por lugares longínquos, mas também gostamos de pegar no carro e andar por aí, sem destino. E porque a viagem não acaba nunca, como dizia Saramago, depois da viagem passamos tudo para aqui: textos, fotos, vivência, enfim… a nossa viagem! Um pouco de tudo num blog que é da Guarda para o mundo! Tudo sobre nós >>>

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Somos uma família apaixonada… apaixonada pelo mundo e pelas viagens, sejam elas curtas ou longas. Mas a maior das viagem começou há pouco, quando à equipa se juntou o pequeno Simão. Durante uma parte do ano vestimos as capas de dois burocratas do funcionalismo público, na outra, metemos a mochila às costas, pegamos no Simão, e vamos por aí… ver com outros olhos, conhecer o mundo, conhecendo-nos cada vez mais a nós próprios. Adoramos grandes aventuras por lugares longínquos, mas também gostamos de pegar no carro e andar por aí, sem destino. E porque a viagem não acaba nunca, como dizia Saramago, depois da viagem passamos tudo para aqui: textos, fotos, vivência, enfim… a nossa viagem! Um pouco de tudo num blog que é da Guarda para o mundo! Tudo sobre nós >>>

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