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Idanha-A-Velha, o que visitar na velha Egitânia

Aldeias HistóricasIdanha-A-Velha, o que visitar na velha Egitânia

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Chegamos a Idanha-A-Velha já meio da tarde de um domingo de primavera. Era dia do festival das sopas tradicionais que todos os anos, por esta altura, tem lugar na pequena aldeia de Proença-a-Velha. Vínhamos, portanto, bem almoçados.

Visitar Idanha-A-Velha, também conhecida como a civitas Igaeditanorum, é uma experiência única que nos transporta para o passado. Esta pequena Aldeia Histórica, localizada, perto de Castelo Branco, na região centro de Portugal, é um verdadeiro tesouro histórico e cultural quase desconhecido. Com as suas ruínas romanas, igrejas medievais e paisagens deslumbrantes, arriscamo-nos a dizer que Idanha-A-Velha é um destino imperdível para quem procura uma espécie de viagem no tempo.

Sé Catedral, em Idanha-a-Velha, que visitar. Os Meus Trilhos

Localização e um pouco da história de Idanha-a-Velha

Idanha-a-Velha é uma Aldeia Histórica situada no Concelho de Idanha-a-Nova, no distrito de Castelo Branco. Com uma história rica e cativante, é um local de visita obrigatória para quem se interessa por história e património.

Fundada como Egitânia pelos romanos, era uma cidade importante na Via da Prata, com vestígios que comprovam seu passado glorioso.

Após a queda do Império Romano, a Egitânia passou por visigodos e mouros antes de ser conquistada pelos cristãos e integrada ao Reino de Portugal. Idanha-a-Velha ascendeu a sede de bispado, ostentando monumentos como a Catedral, o Palácio Episcopal e a Ponte de São Dâmaso.

No ano de 1199, o rei D. Sancho I transfere a sede do bispado da Egitânia para a cidade da Guarda (por isso ainda se chamam egitanienses aos habitantes da Guarda). Em 1510, com D. Manuel, a cidade recebe um novo foral, impulsionando o seu desenvolvimento.

Em 1997, Idanha-a-Velha ganha um novo impulso com a integração na Rede de Aldeias Históricas de Portugal, reconhecendo seu rico património histórico, cultural e arquitetónico.

Quando visitar Idanha-a-Velha

A melhor época para visitar Idanha-a-Velha? Vai depender, claro, das suas preferências pessoais, conciliando o clima e eventos locais. O clima nesta região é tipicamente mediterrânico, com verões quentes e secos e invernos frios.

Na primavera o clima é ameno, tornando-a uma época agradável para caminhadas e percursos pedestres (veja uma lista com os melhores percursos Pedestres no concelho de Idanha-a-Nova). O Verão é a época mais movimentada do ano, com muitos festivais e eventos. O calor é o mote perfeito para nadar nas piscinas naturais da região. No Outono as temperaturas são mais amenas e as multidões diminuem. No Inverno chega o frio a sério, que pode ser a desculpa ideal para uma escapadinha à Serra da Estrela e aproveitar a neve.

Queres saber quais são os melhores lugares a visitar na Serra da Estrela? Espreita este nosso artigo: Serra da Estrela: lugares para te apaixonares

Festival da Sopas de Proença-a-Velha, bem perto de Idanha-a-Velha. Que tal conjugar a gastronomia com uma visita cultura?

Bem, mas o ideal é fazer coincidir a sua visita com festividades ou eventos culturais. Damos-lhe algumas sugestões:

  • Festival de Sopas de Proença-a-Velha (Maio): Bem perto de Idanha-a-Velha, tem um dos festivais de sopas mais interessantes do país, que tem lugar, em Maio, na aldeia de Proença-a-Velha. Já tem aqui uma desculpa perfeita!
  • Festival Boom – Embora não ocorra exatamente em Idanha-a-Velha, este festival de música eletrónica e cultura alternativa acontece nas proximidades, no concelho de Idanha-a-Nova, normalmente no mês de agosto. É um evento internacionalmente reconhecido que atrai visitantes de todo o mundo.
  • Casqueiro – Festival do Pão, Bolos e tradições (Outubro): Este evento é uma viagem pela história de Idanha-a-Velha, com animação de rua, barraquinhas, workshops e muito mais.
  • Fora do Lugar – Um festival internacional de músicas antigas, promovido pelo Município de Idanha-a-Nova que acontece geralmente em novembro, trazendo concertos e atividades relacionadas à música histórica e ao património cultural.

Que visitar em Idanha-a-Velha

Ao caminhar pelas ruas de Idanha-a-Velha, é fácil imaginar como era a vida na época romana e medieval. A imponência dos edifícios que sobreviveram aos tempos, revelam a importância da Egitânia. Além disso, a paisagem natural que rodeia a aldeia é simplesmente deslumbrante, com as montanhas da Serra da Estrela e da Serra da Gardunha ao fundo e o rio Pônsul a correr nas proximidades.

O melhor conselho que podemos dar é deambular pelas ruelas, já que a aldeia é bastante pequena. Ainda assim, aqui estão alguns dos principais pontos de interesse que não pode perder durante a sua visita.

Ao chegarmos a Idanha-a-Velha, damos de cara com a Porta Nova. É como se nos convidasse a entrar num mundo de história e mistério. A sua monumentalidade fez-nos parar e apreciar cada detalhe, desde as marcas do tempo nas pedras até à imponência da sua estrutura. Era impossível não nos sentirmos pequeninos perante tamanha grandiosidade. A Porta Nova é a guardiã de segredos ancestrais, e nós estávamos ansiosos por desvendá-los.

Porta Nova, em Idanha-a-Velha, que visitar. Os Meus Trilhos

Pela Rua da Palma descemos ao largo da Igreja onde podemos apreciar o Pelourinho e, ao lado, a Igreja Matriz. Símbolo da autonomia municipal e da força manuelina, o Pelourinho de Idanha-a-Velha foi construído no século XVI e é testemunha da importância histórica de Idanha-a-Velha e do povoamento da região.

Pelourinho, em Idanha-a-Velha, que visitar. Os Meus Trilhos

Construída no século XVI, a Igreja Matriz apresenta uma fachada simples, mas elegante, em estilo maneirista. No interior, a talha dourada do altar e os azulejos setecentistas narram histórias de santos e milagres, convidando à contemplação. A Igreja Matriz é um dos principais monumentos religiosos de Idanha-a-Velha e um importante símbolo da fé do povo local.

Igreja Matriz, em Idanha-a-Velha, que visitar. Os Meus Trilhos

Sob a sombra de uma amoreira centenária, o Largo da Amoreira oferece um refúgio aprazível no coração da aldeia. Casas de pedra tradicional rodeiam o largo, onde um chafariz de pedra jorra água fresca. É o ponto de encontro da comunidade (ou o que resta dela), e é aqui que têm lugar grande parte dos eventos culturais e festivais.

Largo da Amoreira, em Idanha-a-Velha, que visitar. Os Meus Trilhos

A Igreja de Santa Maria é uma das principais atrações de Idanha-a-Velha. É a antiga catedral do bispado da Egitânia, e aquando da Invasão muçulmana da península Ibérica foi convertida em mesquita, para voltar a ser igreja com a Reconquista, sendo doada aos Templários. A sua fachada é austera, mas o seu interior é adornado com belos frescos e vitrais. Acredita-se que a Ordem Templária terá sido responsável por uma das fases deste edifício tendo-o transformado em Igreja dedicada a Santa Maria. A Catedral de Idanha-a-Velha está classificada como Imóvel de Interesse Público desde 1956.

Sé Catedral, em Idanha-a-Velha, que visitar. Os Meus Trilhos

Informações úteis. Horário: Aberto de terça a domingo, das 10h às 13h e das 14h às 17h; Bilhetes: Entrada gratuita.

A par da Catedral, um dos maiores ex Libris desta Aldeia Histórica são os seus Batistérios. Idanha-a-Velha ostenta dois batistérios, monumentos singulares que nos transportam aos primórdios do cristianismo na Península Ibérica.

O Batistério Norte, datado do final do século IV, é o mais antigo da Península Ibérica. Uma piscina retangular com degraus, revestida em opus signinum, onde os fiéis eram batizados por imersão.

Batistérios em Idanha-a-Velha, créditos: Rota das Aldeias Históricas

O Batistério Sul, do início do século V, apresenta uma planta cruciforme única. Uma piscina cruciforme com degraus, também revestida em opus signinum, evidencia a importância do batismo na liturgia paleocristã.

Ambos os batistérios, situados junto à Catedral, foram construídos com materiais reaproveitados da cidade romana. Testemunhas da vitalidade da comunidade cristã em Idanha-a-Velha, são hoje pontos de interesse incontornáveis para os amantes da história e da cultura.

E, a pouco e pouco, a nossa visita vai findando. Mas, ainda há tempo para apreciarmos a Porta Sul, também conhecida como Porta do Rio Pônsul. Foi reconstruída no final da década de 1960, no local onde se supunha ter existido uma porta romana. No entanto, escavações arqueológicas posteriores revelaram que, no período romano tardio, a porta não existia. Em vez disso, havia uma poterna, permitindo apenas a passagem de peões. A partir deste ponto, sai uma calçada que leva ao rio, onde a passagem se faz sobre poldras que reaproveitam silhares romanos. Vamos até lá.

Porta Sul, Rio Pônsul, em Idanha-a-Velha, que visitar. Os Meus Trilhos

Um outro ponto de visita obrigatória são as Poldras. As poldras sobre o Rio Ponsul são um sistema ancestral de travessia do rio, composto por grandes blocos de pedra fincados verticalmente no leito do rio. Estes blocos, também conhecidos como “poldras” ou “passadeiras”, permitem a travessia a pé, de um lado para o outro do rio, mesmo em períodos de maior caudal. Com o Simão a mirar, mas com vontade de saltitar de poldra em poldra, fomos sentir o toque rugoso destes pilares de pedra.

Uma última dica, as poldras sobre o Rio Ponsul podem ser encontradas em vários pontos ao longo do curso do rio, principalmente em zonas rurais. Estas estão mesmo às portas da aldeia e são facilmente acedidas por estrada, veja aqui a localização.

Poldras sobre o Rio Pônsul, em Idanha-a-Velha, que visitar. Os Meus Trilhos

Continuamos o nosso périplo fora da zona amuralhada. Quando saímos pela Porta Sul, em vez de virarmos à direita para as Poldras, voltamos à esquerda para apreciarmos uma magnífica obra de engenharia, a Ponte Velha sobre o Rio Pônsul. Ponte que alguns acreditam ter origem Romana, embora seja bastante controversa esta datação, sendo mais verosímil que se trate de uma obra filipina (XVII). É verdade que a região de Idanha-a-Velha apresenta uma forte influência Romana, de um território que foi muito importante por alturas desta ocupação. Esta ponte situar-se-ia no importante eixo viário entre Mérida (Emérita Augusta) e Braga (Bracara Augusta), por Cáceres e Viseu, que teve várias reconstruções ao longo da Idade Média.

Partilhamos alguns artigos que escrevemos, há uns anos, sobre Mérida e Cáceres:

Ponte Velha em Idanha-a-Velha, que visitar. Os Meus Trilhos

Continuamos fora da zona amuralhada, já em jeito de despedida, mas ainda há tempo para uma pequena paragem na Capela de São Sebastião. Erguida em 1579, homenageia São Sebastião, protetor contra a peste, que assolou a região no século XVI. Foi adaptada esta capela no século XX a um museu privado, conhecido como Museu Lapidar Igeditano.

Capela de São Sebastião, em Idanha-a-Velha, que visitar. Os Meus Trilhos

Outros lugares a visitar em Idanha-a-Velha

  • Arquivo Epigráfico
  • Lagar de Varas
  • Capela de São Dâmaso
  • Casa Grande (solar da família Marrocos)
  • Palheiros de São Dâmaso
  • Freixo do rei Vamba
  • Forno Comunitário
  • Casa Romana de Átrio
  • Capela de Espírito Santo
  • Torre dos Templários

Que visitar perto de Idanha-a-Velha

Se estiver a visitar Idanha-a-Velha, há muitos locais interessantes para visitar nas proximidades. Aqui estão algumas das nossas sugestões:

Monsanto

Monsanto é uma vila histórica situada a cerca de 20 km de Idanha-a-Velha. É conhecida como a “Aldeia Mais Portuguesa de Portugal” e é famosa pelas suas casas construídas em rochas e pelas suas vistas panorâmicas. Vale a pena visitar o Castelo de Monsanto, que oferece vistas deslumbrantes sobre a paisagem circundante.

Aldeia Histórica de Monsanto

Penha Garcia

Penha Garcia é uma pequena vila situada a cerca de 15 km de Idanha-a-Velha. É famosa pelas suas formações rochosas únicas e pelas suas piscinas naturais. Fértil em vestígios romanos e pré-históricos, valerá bem a pena o desvio.

Castelo Branco

Castelo Branco é uma cidade maior situada a cerca de 30 km de Idanha-a-Velha. É conhecida pela sua arquitetura histórica, incluindo o seu castelo e a sua catedral.

centro histórico da cidade e visitar o Museu Francisco Tavares Proença Júnior, que abriga uma coleção de arte e artefactos locais.

Alojamento em Idanha-a-Velha

Se Idanha-a-Velha não tem grande oferta de alojamento, opção não faltam nas redondezas. Por isso, o melhor é alojar-se em alguma das vilas próximas e aproveitar para visitar, p.ex. a Aldeia Histórica de Monsanto, Penha Garcia, ou mesmo Idanha-a-Nova.

Hotel Estrela da Idanha, uma excelente opção de alojamento perto de Idanha-a-Velha

Há imensas opções, basta pesquisar no Booking. Mas estas são as nossas sugestões:

Casa das Jardas: A Casa das Jardas é um encantador turismo rural situado perto das históricas aldeias de Monsanto e Idanha-a-Velha. Esta antiga casa agrícola foi transformada e oferece agora uma estadia acolhedora e confortável. Os quartos são decorados com bom gosto e oferecem todas as comodidades necessárias para a sua estadia. Podemos desfrutar de um delicioso pequeno almoço caseiro e relaxar na piscina exterior ou na sala de estar com lareira.

Casas da Villa Monsanto: Uma excelente solução é alojar-se nas Casas da Villa Monsanto, como o próprio nome indica, na Aldeia Histórica de Monsanto. São um conjunto de casas de campo renovadas, que oferecem uma experiência única de imersão na cultura e tradição da região, com um ambiente rústico e acolhedor.

Monsanto GeoHotel Escola: Ainda na Aldeia Histórica de Monsanto, o Monsanto GeoHotel Escola é um dos alojamentos que os viajantes priveligiam, apresentando uma excelente relação preço qualidade. Situa-se pertíssimo do Castelo, pequeno almoço buffet e uma excelente pontuação no Booking.

Hotel Estrela Da Idanha: o Hotel Estrela Da Idanha é uma ótima opção para quem procura um alojamento moderno e confortável em Idanha-a-Nova, a cerca de 20 km de Idanha-a-Velha. O hotel dispõe de 2 piscinas, uma interior e outra exterior, ideais para relaxar após um dia de passeio pela região da Beira Baixa. A 25 minutos de carro, pode ainda visitar Penha Garcia, um lugar que nos remete para um passado longínquo na história geológica do nosso planeta.

Nota: pode reservar o seu alojamento utilizando os links acima. Para si é igual, mas para nós é uma grande ajuda. Não paga mais e está a ajudar o nosso blog.

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os meus trilhoshttps://osmeustrilhos.pt
Somos uma família apaixonada… apaixonada pelo mundo e pelas viagens, sejam elas curtas ou longas. Mas a maior das viagem começou há pouco, quando à equipa se juntou o pequeno Simão. Durante uma parte do ano vestimos as capas de dois burocratas do funcionalismo público, na outra, metemos a mochila às costas, pegamos no Simão, e vamos por aí… ver com outros olhos, conhecer o mundo, conhecendo-nos cada vez mais a nós próprios. Adoramos grandes aventuras por lugares longínquos, mas também gostamos de pegar no carro e andar por aí, sem destino. E porque a viagem não acaba nunca, como dizia Saramago, depois da viagem passamos tudo para aqui: textos, fotos, vivência, enfim… a nossa viagem! Um pouco de tudo num blog que é da Guarda para o mundo! Tudo sobre nós >>>

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Somos uma família apaixonada… apaixonada pelo mundo e pelas viagens, sejam elas curtas ou longas. Mas a maior das viagem começou há pouco, quando à equipa se juntou o pequeno Simão. Durante uma parte do ano vestimos as capas de dois burocratas do funcionalismo público, na outra, metemos a mochila às costas, pegamos no Simão, e vamos por aí… ver com outros olhos, conhecer o mundo, conhecendo-nos cada vez mais a nós próprios. Adoramos grandes aventuras por lugares longínquos, mas também gostamos de pegar no carro e andar por aí, sem destino. E porque a viagem não acaba nunca, como dizia Saramago, depois da viagem passamos tudo para aqui: textos, fotos, vivência, enfim… a nossa viagem! Um pouco de tudo num blog que é da Guarda para o mundo! Tudo sobre nós >>>

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