Os locais adoram este mercado.
Disseram-me que é o segundo maior da Europa e na verdade é mesmo grande, daqueles sítios onde uma pessoa se perde entre fruta, legumes, flores, azeitonas, especiarias, etc…
Bruxelas acordou como ela própria: cinzenta e salpicada de quando em vez por umas gotas mais teimosas e ao mesmo tempo geladas. Confesso, eu até gosto de chuva, mas detesto quando ela me surpreende, e infelizmente tem-no feito demasiadas vezes.
Começo a perceber porque é que a Bélgica tem a segunda maior taxa de suicídios por ano… não admira, este tempo consegue deprimir até o maior estampado dos sorrisos.
O mercado está alegre, salpica e canta ao som dos pregões que me esforço, em vão, por entender… é muita cultura junta, penso. Podemos encontrar pessoas e produtos de todas as partes. Mas a estes sítios não chegam os “eurocratas” e quando vêm, vêm como eu, às vezes com intenção de comprar, outras de máquina em punho, mas também a necessidade de sentir a multiculturalidade que nos escapa nos gabinetes dos muitos edifícios do european district.
Ainda agora está em Itália, ou seria na Grécia… mas o cheiro que circula transporta-me para locais de mil e uma noites. Estes aromas têm poderes especiais como se tivessem sido feitos por fadas recorrendo a formulas e receitas escondidas ou quem sabe até perdidas no tempo. Tento em vão distingui-los. Caril, cravinho, cominhos… é impossível. Sinto-me invadido por uma espécie de transe poderoso.
Eis que não algo me trás de volta à realidade. 2 couves-flor, enormes, por 1€. Isto é mesmo barato, aproveito.
Se há algo capaz de espantar o cinzento do céu e o torpor que sinto nestes dias são as imagens com que me deparo… tapetes de flores, tulipas, das mais diversas cores e feitios. Árvores de fruto, vasos, terras, sementes, cogumelos, enfim um verdadeiro paraíso para um amante da terra. Quem me dera possuir os dons do poeta, a capacidade de com simples palavras ser capaz da mais especial de todas as façanhas, descrever as maravilhas que os olhos podem ver. Como diz o artista, eu “não passo de um homem vulgar que tem a sorte de saborear” momentos únicos com estes e que me ficaram retidos na memória e na “película” da minha Canon.
Se tivesse de caracterizar este mercado utilizaria uma aproximação ainda que arriscada a três “espécies” bem conhecidas: a “feira da ladra”, a “feira de Barcelos” e o mercado das frutas e legumes ao Sábado de manhã.
(onde é que andaria a ASAE? 🙂
MAIS FOTOS: http://picasaweb.google.pt/sergiofslopes/Marche_gareDuMidi
Pois é…viva o mercado da gare do midi.
eu também lá estive e valeu a pena.
A companhia foi do melhor, as compras é q foram poucas.
Continua a dar conhecimento dos teus passos e a tirar essa fotos lindas-
O resto tu já sabes…